
A mulher que eu sou hoje vive em silêncio, enclausurada em um espelho. As
cicatrizes são as marcas do tempo, do ontem, do hoje e do para sempre. Sim,
para sempre feliz e destinada a viver o futuro em silêncio, surrando os sonhos
e os desejos de uma vida cor de rosa.
Há longos períodos da minha vida que são mistérios para mim,
família e separação, infância e assombração, perda e decepção, sonho e
frustração, trabalho e conquista que se misturam e até hoje é quase impossível
separá-las. E se tardam como sombras nos corredores escuros de minha mente que
vai envelhecendo.
Quando eu era jovem, tinha orgulho do meu físico e me esforçava
para manter a forma, mas quando cheguei à meia idade passeia a me sentir menos
enamorada por minha imagem no espelho.
É quase impossível acreditar que cheguei a esta idade. Mudar o meu destino seria mudar a cor dos meus olhos. Então, um dia eu
parei e estava velha. Foi quando voltei ao espelho e reencontrei a criança, a
jovem e a mulher madura enclausuradas no silêncio.
Sempre aceitei as mudanças, sempre bem vindas, as marcas
deixaram eternas lembranças que se mostram vívidas e notáveis por jamais poder
ser esquecidas. Mas aceitar a velha que se hospedou de mim foi quase o meu fim.
...Oh meu amor não se entregue sem mim, eu só quero avoar...
ResponderExcluir