quinta-feira, 17 de novembro de 2011


A mulher que eu sou hoje vive em silêncio, enclausurada em um espelho. As cicatrizes são as marcas do tempo, do ontem, do hoje e do para sempre. Sim, para sempre feliz e destinada a viver o futuro em silêncio, surrando os sonhos e os desejos de uma vida cor de rosa.
Há longos períodos da minha vida que são mistérios para mim, família e separação, infância e assombração, perda e decepção, sonho e frustração, trabalho e conquista que se misturam e até hoje é quase impossível separá-las. E se tardam como sombras nos corredores escuros de minha mente que vai envelhecendo.
Quando eu era jovem, tinha orgulho do meu físico e me esforçava para manter a forma, mas quando cheguei à meia idade passeia a me sentir menos enamorada por minha imagem no espelho.
É quase impossível acreditar que cheguei a esta idade. Mudar o meu destino seria mudar a cor dos meus olhos. Então, um dia eu parei e estava velha. Foi quando voltei ao espelho e reencontrei a criança, a jovem e a mulher madura enclausuradas no silêncio.
Sempre aceitei as mudanças, sempre bem vindas, as marcas deixaram eternas lembranças que se mostram vívidas e notáveis por jamais poder ser esquecidas. Mas aceitar a velha que se hospedou de mim foi quase o meu fim.

Um comentário: